But don't stay for too long

Aug 26 2012

“Almofadada no meu paletó tinha ela sua cabeleira, fura-orelhas em sarças de urze minhas mãos sob a sua nuca, tu vais me despentear todinha. Oh, maravilha! Frescamaciadas de bálsamos suas mãos me tocavam, acariciavam: seus olhos sobre mim não se me refugiam. Arrebatado sobre ela eu jazia, os lábios todos todo abertos, beijava sua boca. Ããm. Suavemente ela passava para a minha boca o torrão quente e masticado. Polpa asquerosa sua boca lhe emprenhara dulçor e agrura de saliva. Alegria: comi: alegria. Vida juvenil, seus lábios me davam num abrocho. Macios, quentes, gomigelatinosos lábios grudentos. Flores eram seus olhos, me toma, olhos querentes. Seixos rolavam. Ela jazia queda. Uma cabra. Ninguém. Alto entre rododendros do Ben Howth uma cabrita saltando certipeda, soltando passas. Encoberta entre fetos ela ria braçoenvolta. Selvagemente eu jazia sobre ela, beijava-a; olhos, seus lábios, seu pescoço reteso, pulsando, peitos de fêmea plena em sua blusa de véu de monja, mamilos cheios ponteando. Quente eu a linguei. Ela beijava-me. Eu era beijado. Tudo rendendo ela emaranhava meus cabelos. Beijada, ela beijava-me.”

James Joyce, Ulisses. Pag. 192 
Tradução: Antônio Houaiss. Ed. Civilização Brasileira, 2011.

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